Sistema é composto por biodigestor que utiliza cama de frango como fonte de energia

A avicultura brasileira já pode contar com mais um auxílio para a redução de gastos. Um biodigestor desenvolvido pela empresa Recolast, de São Paulo, utiliza a cama de frango como fonte geradora e é capaz de amortizar pelo menos 40% dos gastos com energia elétrica nos aviários.
O sistema também apresenta vantagens para o meio ambiente, já que reduz a emissão do gás causador do efeito estufa, o metano. “No manejo ambiental dos resíduos animais não há milagres, mas sim possibilidades. O biodigestor é uma delas”, diz Julio Cesar P. Palhares, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves.
Segundo Palhares, além de ser uma tecnologia que produz energia, o biodigestor tem como sub-produto o biofertilizante, insumo de validada capacidade nutritiva para as culturas vegetais e ainda reduz a emissão de odores e proliferação de moscas, devido ao manejo com a cama.
Por enquanto, apenas um produtor aderiu ao sistema da Recolast no Brasil: Raimundo Alves Ferreira, avicultor há oito anos em Palmeiras do Tocantins, TO. Ele também utiliza o biofertilizante como adubo para suas áreas de grãos e pastagens, o que reduziu seu custo com a compra de adubo químico. “Essa é uma experiência de sucesso no uso de biodigestores para o tratamento da cama, resultado de mais de um ano de trabalho árduo para a adaptação da tecnologia às condições do avicultor e assistência constante da equipe do SEBRAE da região”, explica Palhares.
O sistema utilizado no Tocantins foi desenvolvido com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e das missões técnicas do SEBRAE.
Segundo Rafael Padeiro Catarino, biólogo e Coordenador de Projetos da Recolast, o estudo desse sistema durou cerca de um ano e meio, quando foi possível obter a produção de metano em concentrações satisfatórias. “Nosso primeiro projeto com cama de frango foi implantado em 2007. Essa técnica, nessa nova escala e com esses resultados obtidos é nova na avicultura”, afirma.
Em uma granja com 20.000 aves, o investimento integral do sistema é de cerca de R$40.000 e para obter o “pay back”, o produtor precisa em média de 15 meses. Para facilitar o processo de instalação, o biodigestor é pré-fabricado em uma única peça. “Com este modelo conseguimos reduzir em até um terço o tempo e o custo de instalação”, diz Rafael Catarino.
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